Correção da Mordida Cruzada e o Impacto na Apneia do Sono - WMCursos
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Correção da Mordida Cruzada e o Impacto na Apneia do Sono

Correção da Mordida Cruzada e o Impacto na Apneia do Sono

Foi realizado um estudo recente (2024), na cidade de Alberta, no Canadá, cujos resultados corroboram a nossa experiência clínica. Observou-se que nem sempre a correção transversal da maxila promove impacto direto na melhora do fator respiratório. Entretanto, como o estudo não realizou a estratificação por padrão muscular, mas sim por sexo, verificou-se que o sexo feminino apresentou maior taxa de melhora na qualidade relacionada ao índice de apneia quando comparado ao sexo masculino.

O estudo apresenta como limitação o tamanho reduzido da amostra, composta por apenas 12 crianças, com idades entre 5 e 8 anos. Os critérios de inclusão foram: presença de mordida cruzada posterior, índice de apneia-hipopneia (IAH) maior que 1 e disponibilidade para instalação de disjuntor fixo. Foi utilizado um aparelho semelhante ao Hyrax, associado a uma mola frontal. A ativação era realizada pelos pais, quatro vezes por semana, em dias alternados, ou de forma contínua até completar a ativação recomendada. O tratamento foi considerado concluído quando a mordida encontrava-se descruzada.

O IAH foi mensurado antes e após o tratamento, porém apenas uma vez em cada momento, o que também pode ser considerado uma fragilidade metodológica. Sabe-se que o IAH pode variar ao longo do tempo, visto que a apneia do sono é uma patologia multifatorial, podendo inclusive sofrer influência de fatores psicossomáticos. Assim, os resultados obtidos em um determinado dia podem não refletir necessariamente a condição em outro momento. Idealmente, tanto o IAH inicial quanto o final deveriam ter sido mensurados ao longo de um período determinado, preferencialmente sob condições semelhantes (rotina escolar, atividades de lazer, entre outras), para maior rigor científico.

Um ponto destacado pelo estudo foi que, quando houve melhora da apneia, esta se mostrou mais expressiva no sexo feminino. Os autores sugerem que esse achado pode estar relacionado ao desenvolvimento craniofacial mais precoce nas meninas, além de diferenças hormonais, estruturais e na distribuição de massa corporal entre os sexos.

Ainda que nem todos os resultados tenham alcançado significância estatística, observou-se melhora do espaço aéreo posterior em parte dos casos, achado já relatado por nós em publicação anterior, possivelmente relacionado à rotação mandibular decorrente da expansão maxilar.

Conclui-se que, embora a correção da mordida cruzada não seja capaz de resolver integralmente a Apneia Obstrutiva do Sono — por tratar-se de uma condição multifatorial que demanda abordagem terapêutica multidisciplinar, incluindo modalidades ainda em desenvolvimento —, ela pode contribuir de forma relevante para a melhora do quadro clínico do paciente.

Referências
Skowik JM, Sankari A, Collen JF. Obstructive Sleep Apnea. In: StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2024.
Dental Press J Orthod. 2025;30(5):e2524280.